quinta-feira, 21 de julho de 2016

Quando o fundo do mar é um mistério.

No fundo no fundo, toda criança já sonhou com o fundo do mar e muitas, que eram escafandristas. Eu mesmo, já me imaginei com aquelas estranhas roupas, pesadas e aquele capacete redondo sobre minha cabeça. Aqueles tubos gigantescos, levando oxigênio para a superfície e garantindo minha respiração. Como os astronautas e cosmonautas nas viagens espaciais, todas as crianças, em algum momento, sonharam que podiam andar no fundo do mar. "Quem nunca sonhou que foi escafandro, que atire o primeiro edredon"! Mas o mais perto que cheguei do "fundo do mar", foi através do cinema.
Como já era de se imaginar, minha primeira relação com o mar, vem do livro "Vinte Mil Léguas Submarinas", que mexeu com a imaginação de muita gente. Até meados dos anos 80, ver o filme ou ler o livro, dava uma sensação de que a história acontecia no futuro e que um dia, as pessoas iam mergulhar daquele jeito, com aquelas roupas incríveis. Mas como já faz muitos anos que li o livro, talvez nem lembre mais, exatamente, como eram as passagens mais célebres dessa tão magistral obra da literatura francesa e mundial.
Quem vir as cenas da produção do filme, por exemplo, uma das mais famosas (já que  tiveram muitas outras versões), poderá se deleitar com imagens maravilhosas, montadas, a maioria em studios de Hollyood. As adaptações deste filme, no entanto, buscou atender a expectativa de um público muito mais voltado para o entretenimento do que, propriamente, pessoas curiosas e que estariam procurando, na telona, a possibilidade de interagir com uma das profissões mais misteriosas já vistas e sentidas pelo homem. O escafandrismo.
O mergulho de um escafandro é cheio de surpresas e exige uma gama de ações técnicas que precisam ser estudadas com afinco. Essas técnicas envolvem uma constante atenção por parte do mergulhador, que precisa entender e sentir não apenas o universo denso do fundo das águas, mas também, conduzir seu corpo num fluxo bem diferente daquele que estamos acostumados. Portanto, "escafandrear", requer muito mais do que adaptação ao fundo do mar e sim, reaprender e descobrir como o corpo e o equipamento se comporta dentro de um contexto jamais vivido pelo interessado que fará este tão diferente e curioso mergulho.
Ouvindo Pierre Passot, conversar com as crianças, durante o "Primeiro Encontro Franco-Brasileiro, da Imagem Submarina", que fora realizado na cidade Matinhos - PR, em 2011, despertei para o escafandrismo, quando uma criança perguntou ao mestre francês, o que, afinal, um escafandro faz. Eu mesmo, nunca fizera essas pergunta, tamanha a minha fixação pelo mergulho em si e não pela sua função cidadã. Pierre simplesmente disse: "Um escafandro trabalha". Isso mesmo, um escafandro mergulha no mais abissal dos mares, simplesmente para trabalhar. E que trabalho seria esse? Me perguntei; simples resposta, os escafandros constroem fundações de pontes, ajudam na extração de petróleo, resgatam elos perdidos, concertam submarinos, etc... uma legião de profissionais, que fazem de tudo sob as águas. Enquanto que, eu, como criança curiosa, achava que o escafandro descia apenas para "ver" o que tinha no fundo do mar.
Júlio Verne, chegou a ser o escritor mais famoso de sua época, seu livros venderam muito e o mundo todo queria conhecer sua obra monumental. No entanto, para escrever tal livro, Verne fez estudos científicos e, de forma intuitiva, construiu não só uma embarcação complexa mas também lançou as bases para uma vasta gama de gerações que começaram a vislumbrar um futuro onde o homem, de fato, mergulharia para descortinar o mundo sob as águas. Tanto o livro, quanto o filme, nos transportam para o desconhecidos, não sem revelar, tantas possibilidades e descobertas, mas, o que é o realmente melhor, dessa história toda, é que Jules Verne,  abriu as comportas da percepção humana e hoje, o mergulho é uma prática, cada vez mais, fascinante e, justamente, na França, encontrou sua maior motivação.

Um vídeo que "mergulha na essência do livro, mostrado aqui, em forma de documentário. Aproveite, mergulhe e seja feliz!


Jiddu Saldanha - Blogueiro

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