quinta-feira, 31 de março de 2016

Mas afinal, o que é um Escafandro?

Você conhece a Matinica? Você conhece Cabo Frio? O que estas duas cidades tem em comum? São cidades visitadas por Pierre Passot em 2015, com o objetivo de divulgar sua filosofia de conscientização do ambiente marinho, mas também, para propagar um pouco de sua atividade profissional, o escafandrismo.

O Mundo misterioso dos escafandros remete a belas histórias de Julio Verne. Quem não lembra das abissais aventuras do Nautilus? Nada podia ser mais ritualístico do que abrir um livro do Julio Verne, apenas para ver as gravuras exibindo homens com uma roupa estranha em contato com baleias gigantescas. A gente sentia muito mais curiosidade do que medo. Em 2012, quando estive no Primeiro Encontro Franco Brasileiro da Imagem Submarina, pude ver, de perto, muitos objetos oriundos da coleção particular de Pierre Passot e, me senti, dentro de um mundo mágico e misterioso. 
Quando criança eu ia visitar a "boneca do Iguaçu", rio que passa por Curitiba, minha cidade natal, e tentava imaginar algum escafandro gigante, saindo de dentro das águas, com aquele imenso capacete e cordão umbilical amarrado na cintura. A imagem mítica dos heróis que andavam pelo fundo do mar, vendo peixes gigantes e enfrentando tentáculos intermináveis de lulas e polvos, é bem mais real. O ESCAFANDRO é um trabalhador do mar. Apenas isso, e muito mais do que isso.
Se pensarmos nas imensas pontes, que hoje cruzam partes de canais marítimos e aqueles gigantescos navios passando pelas baías, muito além das praias, é bem possível imaginar que, ali, naqueles cascos, existe a marca de um trabalhador especializado, que a gente nunca vê e que, quando vê, está num belo livro sobre o mar, ou num filme de aventura. Ah, os filmes, quem não os viu? Além da própria obra de Julio Verne transportada para a telona, é possível ver uma imensidão de imagens que relatam a dura realidade deste mundo de profundo silêncio, habitada por homens que constroem dentro de um mundo inóspito que só pode ser habitado por pessoas com domínio de técnicas, que estão sendo aperfeiçoadas a centenas de anos.

Filme de Pierre Passot - rodado na Martinica.

O contato com a coleção de Pierre Passot, na Universidade Federal do Paraná, na cidade de Matinhos, em 2012, abriu a sensibilidade de toda uma geração de estudantes que passavam pela cidade e pela universidade, naquele momento. O contato co peças marítimas, que serja, construções históricas feitas no período que antecipa a invenção do Aqualung, até as modernas técnicas de ajustes de trabalhos no fundo do mar, deram uma nítida noção do quão importante foram as descobertas e investigações feitas por profissionais que, de certo modo, até hoje, desconhecemos em sua profundidade.


Pierre Passot dá instruções para mergulhadores aprendizes.

No final de 2015, Pierre Passot esteve em Cabo Frio, a cidade da Região dos Lagos que abriga uma das mais belas Baías do Brasil. Perto de Buzios, Cabo Frio se orgulha de ser um cabo no meio do mar, cercado por águas geladas e profundas. Seu mar, provém fonte de vida para milhares de pescadores que, todos os dias, adentram o mar, a procura de sua fonte de subsistência. Entretanto, Passot, ficou um pouco surpreso, ao perceber que o mergulho, que deveria ser uma prática profissional que pudesse gerar muitos empregos para uma nova geração aventureira e ousada, em Cabo Frio, é apenas um exercício esportivo, praticados por jovens e adultos da classe média alta. Lamentável, afinal, o mar é uma fonte de recursos a ser explorada com técnicas avançadas e dentro de um equilíbrio em seu eco-sistema.

Uma nova geração chegando e descobrindo um mundo que aflora para além do quintal, o mar.
Neste precioso encontro de Pierre Passot com jovens estudantes de teatro do curso OFICENA - Curso Livre de Teatro de Cabo Frio e do TCC - Teatro Cabofriense de Comédia, um grupo de artistas recém formados na cidade, Pierre falou da importância da preservação do ambiente marinho, mas também apontou um caminho que muitos jovens, apesar de viver numa cidade marítima, ainda desconhece, o mundo do trabalho no fundo do mar. O mar, uma inesgotável fonte de recursos é, a priori, o mar que devemos preservar e que, na visão de Passot, precisa muito da ação positiva do ser humano que busca harmonia com o ambiente em seu entrono.

Jiddu Saldanha - Blogueiro

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